LUALIVRE

O cantar do galo
Em meio a madrugada
Desperta na lua
A sensação
De disponibilidade

Tal qual
As amigas do relento
A lua é disponível
Aos amados
Aos amantes
Aos casados
Aos errantes

Cheia de graça
Cheia de luz
Colore a noite
Com seu cinza
Com seu brilho
E seu suor

Bombeia na veia
Na graça
De um homem cheio
Prazer e tremor

Quem duvida
Que sejas perfeita
Ainda que a desfeita
Seja finalizada
Em dor?

Brilha a lua
Das mil virgens
Das novatas
Das veteranas.

Brilha a lua
De Tereza
A negra
De Bárbara
A caucasiana.

Brilha a lua
Das de aço
Rubi
Ou porcelana.

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A Culpa de Um Amor Que Eu Nem Lembrava

o amor

Vixe, parece que eu conheço aquele homem de algum lugar…

Não pode ser. Não pode ser. Não pode ser. Não pode ser!

Como mudou, mais magro, com mais rugas. Hoje até parece o meu finado pai, aparência meio turrona, mal humorado.

Engraçado, nunca o vi aqui pelo bairro… Será que mudou por esses dias? Mas, tão velho… tem idade pra ficar pulando de cidade a cidade, estado a estado? Olha quem fala. Uma velhota dessas, que não aguenta nem meia rua de caminhada sem ter que parar pra descansar, coitada de mim.

Será que ele ainda me reconhece? Eu posso ter envelhecido um pouco, mas, vá lá, eu continuo bem bonitinha de rosto, sim. Não criei tantas rugas quanto ele. Sou uma velhota, mas uma velhota bem arrumada.

É incrível mesmo que ele não tenha me percebido aqui. Eu mesma o reconheci a dois caixas de distância.

Quem vê esse velhote rabugento, nem imagina como ele era um pão lá por volta de cinquenta e lá vai lorota.

Acho que foi no carnaval de cinquenta e oito. Eu ainda bem nova, mas já tinha a estrutura de uma moça já bem mais madura. Acho que eu tinha coisa de uns dezenove. Vestia um vestido verde de prega na cintura, estava belíssima! Ele, de máscara, tal qual eu estava, trajava uma bela camisa branca já bem suada. Ele sempre foi mais de festa que eu, ele era da farra, vivia em bando, sempre foi boêmio.

Quando levei-o pra casa, mamãe quase teve um ataque do coração. Papai era homem importante, trabalhou em grandes companhias, entrou pra política, trabalhou até mesmo com Vargas. Era inaceitável que eu, moça de família importante, fosse vista de agarros com um qualquer. Vá lá que, àquela época, já em cinquenta e nove, minha família não andava bem das pernas. Papai falecera pouco depois do carnaval, nos deixou lotadas de dívidas, mamãe chegou a vender até mesmo seus lenços para pagar tudo que devíamos, foi um lástima.

Entretanto, o sobrenome ainda era imponente, consegui, durante muito tempo, frequentar trocentos bailes de sociedade apenas com ele. Claro, que revezando os vestidos entre um e outro. O verde mesmo, aquele do carnaval, usei pelo menos umas quatro ou cinco vezes depois de conhecer o Osvaldo em cinquenta e oito, só joguei fora porque o tecido enfraqueceu e tornou-o inviável para o uso.

É, Osvaldo… és um velhote que claramente não se aguenta nas pernas, mesmo assim não tira os olhões da moça do caixa. Sempre foi assim, conquistador. Mamãe, logo depois que eu e ele começamos a namorar, passou a ter a amá-lo inexplicavelmente, meu Deus, parecia que ele era mais um filho dela. Chegava ao cúmulo de fazer o prato dele enquanto ele se refestelava no sofá lá de casa no domingo.

Mas não posso reclamar muito dele, não. Osvaldo sempre foi um homem excelente, sem defeitos. Eu o admirava até mesmo quando bêbado, trocando as pernas pelas caçadas do bairro. Quando mamãe faleceu, em sessenta e um, ele que cuidou de tudo, pagou até o caixão, mesmo sendo um rapaz com pouco mais de nada no bolso.

Nesta época, a família já não tinha muito o que oferecer a alta sociedade, o sobrenome já não me valia mais de nada, e eu a esta altura esquentava a barriga como auxiliar de cozinha num restaurante fuleiro na centro da cidade. Era uma sensação de fracasso diária. Não minha, mas do meu pai.

Eu aposto que o velho Augusto morreu com este sentimento agarrado na garganta e, de alguma forma, isto contaminou todas nós.

Minha mãe quando morreu estava numa tristeza só, parecia que a morte era-lhe um alívio. Minha irmã mais nova, Ísis, sumiu no mundo e até hoje não tenho notícias dela. Mirna, minha amada irmã mais velha, faleceu pouco depois de mamãe atropelada na avenida central, foi o que me disseram, mas, levando o em consideração o estado de tristeza que sempre teve, tenho outra opinião.

Eu fui a única que restou dessa linhagem amaldiçoada. Chorava todos os dias, sem exceção. Em todos, Osvaldo me dava o seu abraço e até chorava comigo algumas vezes.

Quando bateu sessenta e três percebi não tinha uma vida lá grandes coisas como meu pai sonhava, mas que eu estava feliz. Osvaldo me ajudou a pagar um curso de datilografia e eu, como uma moça culta, já sabia o inglês de cor e salteado. Com isso, consegui um emprego numa repartição pública.

Osvaldinho continuou a trabalhar como pintor, ganhava menos que eu, não tinha tanta instrução, mas isso não me incomodava, eu o amava demais. Demais, mesmo!

Olhando este velhote solitário eu só consigo pensar em como nós fomos felizes nos anos de união. Nunca nos casamos, por falta de dinheiro e porque Osvaldo nunca acreditou nesse negócio de casamento. No começo eu até fiquei triste, porque sempre sonhei em entrar na igreja vestida de noiva, com um grande véu, o templo cheio, daminhas de honra, buquê de rosas brancas e tudo mais. Mas Osvaldo nem católico era, fui descobrir depois que ele era do candomblé, o que pra mim não fazia nenhuma diferença, eu até visitei um centro com ele e tudo mais, mas tive que esconder de mamãe porque ela era cheia de preconceitos com essas coisas.

Eu basicamente vivia por este amor. Só pra você ver, já briguei na rua por causa de ciúmes, já ameacei sair de casa, já até mandei o coitado pro hospital depois de arremessar uma garrafa de vidro na cabeça dele. Se você reparar bem ele tem a marca até hoje na testa, bem ali, pertinho dos cabelos.

Eu fiquei desesperada nesse dia. Só não fiquei mais que em abril de sessenta e dois, quando ele sofreu um acidente de carro voltando do Rio de Janeiro, onde estava a trabalho. Estavam no carro ele e um outro amigo, o Fábio, que morreu. Eles eram tão parecidos, mas tão parecidos, que no velório eu chorei como se fosse o Osvaldo que estivesse ali. Foi Horrível!

É velho…Você sumiu do nada da minha vida. Achei até que você tivesse morrido depois que te pegaram em sessenta e cinco. Ouvi tanta coisa a seu respeito, que até aceitei que você tivesse morrido por ser um terrorista, coisa que eu sabia, bem no fundo do meu ser, que você não era.

Minha vida virou de cabeça pra baixo! A luz que você acendeu dentro de mim, se apagou quando você sumiu. Até hoje me culpo por ter expulsado sua mãe da minha casa quando ela apareceu lá dizendo que tinham te prendido injustamente. Eu não acreditei nela, porque percebi que, desde o acontecido com você  e o Fábio, o Osvaldo que eu conhecera não era o mesmo, apesar de o meu amor por você só ter aumentado a cada dia.

Em sessenta e nove eu acabei conhecendo outro homem, me casei, formei família e, por um bom tempo, eu te esqueci. Até hoje.

Mas é estranho. Você passa por mim e nem olha, finge que eu não estou aqui, mesmo depois de tanto amor e alegria que compartilhamos. Tantos amigos que fizemos e desfizemos juntos. Eu não entendo, Osvaldo.

Eu não tenho culpa de o destino ter nos traído. Eu não tenho culpa se a perversidade do mundo destruiu o teu sorriso e me deu uma vida que eu não imaginava.

Osvaldo eu queria sabe se você é feliz hoje como era antigamente comigo. Você ainda se lembra de mim?

Faz assim mesmo, Osvaldo. Pegue suas sacolas e siga teu rumo. Um dia, talvez, você perceba que eu não tive culpa das desgraças que a vida arrumou, assim como eu percebi, neste exato momento, que eu caí na mentira dos outros e que você não morreu.

Um dia, quem sabe, você perceba que eu não tenho culpa.

CARINHO

ponto

Tal qual um cão
Qualquer pouco carinho
Que chegue em primeiro
Na corrida dos dias
Amolece minhas durezas
Põe luz na minha face
E melodia em meus ouvidos.
Carinho pouco
Ou quase nada
Parece-me algo
De enorme valia.

Carinho
Não é amor
Longe disso.
Carinho
É a semente
Os dias
São as gotas d’água
Os frutos
São as carícias
Os beijos
As partículas doces de sabor.
Amor.

Como é difícil entender
que as coisas são são como desejo.
Que viver em linha reta
não impossibilita curvas maldosas
criadas por mim ou pelo mundo.
As vezes as pernas doem
desistir é um pensamento inevitável.
Mas, pra quem acredita,
no fim do caminho
sempre haverá um copo d’água
para quem tiver sede.

Barbitúrico

poema de henrique do carmo

Tantos rostos
Nenhum coração
Tantas vontades
Nenhum sentimento.
Sigo a vida
Na esperança de amor algum.
Sinto-me explodir por dentro
Quero me dar por inteiro
Quero gastar meu amor infinito
Quero sentir a sinergia da troca
Preciso ser conjunto
Não posso ser mais indivíduo
Preciso ser par
Ser ímpar já é impossível.
Enquanto sou estes versos
Meu amor é a música
A soar em outros ouvidos
A arrepiar outros pêlos
A acelerar outro coração.
Enquanto sou amor reprimido
Meu outro alguém
É amor enganado
Mal gasto.
Entregar-me-ia totalmente
A quem se disponibilizasse
A receber o meu amor.
Ele é compatível com qualquer um
Absorve os beijos e sorrisos de qualquer boca
Acolhe as lágrimas de qualquer tristeza
Alegra qualquer coração.
Sinto-me livre para amar
Porém preso para seguir em frente.
O amor faz parte da vida
E a vida anda tão conturbada
A vida anda tão confusa
Que não encontro ninguém
Que não me encontro.
Eu preciso de um comprimido.

Receitinha

O que eu escrevo contém muito ódio
Mas em cada gota do mesmo
Coloco um quilo de amor
Trinta gramas de satisfação
Vinte ML de surpresa
Meio quilo de felicidade
Quatrocentos gramas de cada cor
E um mundo inteiro de tudo.
Se ficar gostoso engula
Se ficar ruim também engula
Desperdício de sentimento
É pecado contra si próprio.

Tum tz Tum Tum esse(^)ncia

Qualquer coisa
Mesmo que morta
Reserva um momento
Ou um sentimento
No fundo do pote
Pro grito de bravura
Daquelas melodias
Sadias e frias
Do interior são

Mexo nas estruturas do cosmos
Como um som de guitarra eletrizante.
Esterilizo seu amor
Sinto o cheiro dos seus cabelos
Abro o livro do meu futuro
E te deixo como um poema
Cada linha independente de si
Amando a si
Querendo a si
E com falta de ti.

Queria chorar agora
Mas o tempo me disse
Que chorar agora
Não vale
Não é cabível
Não é interessante
Pois não se entrega
Tão valiosos pontos
Em pequenas gotículas salgadas.

Um grito cairia bem em minha garganta
Seria de bom grado que eu me sentasse
Esperasse a coragem vi
Me desse um murro
Fizesse eu me levantar
Correr atrás do que eu mereço para o futuro.

Sério é
Que eu não me repreendo fácil
Não me ignoro fácil
Mas me esqueço logo.
Me quero todo
Te quero todo
Preciso existir em você.

Você não existe
Mas eu quero te ter dentro do meu peito
Caminhando entre os caminhos do meu sonho
Me fazendo delirar
No interior do astral.

Queria que você quebrasse minha aura
E invadisse
Aquele meu mais profundo ser
Seria o melhor momento
O mais mágico
Seria de extraordinária petulância
Seria como o fincar de um espinho
Ou o azedo de um cajá verde.

As batidas da canção
Ainda superam aquele seu momento
A melodia ainda me lembra a sua voz
A letra me remete a sua pele
O tom de voz do cantor
Enlouquece meu coração
Faz brotar de meus olhos água.

Não posso chorar
Você não vai me fazer perder
A serenidade é minha
A vida faz parte de mim
Mesmo que a essência
Seja você.

A história de vida do amor e da solidão

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Quem tem coragem de me dizer que não gostou? Quem vai me dizer que isso mudou sua vida e se libertará das amarras da solidão? Alguém vai se manifestar, e gritar ao sete ventos, que não se importa com tudo o que os outros se importam?

A pessoa que isto fizer, será alguém sem correntes, alguém que exala a liberdade em seu suor. Este alguém vai ser um esfomeado de paixão, que pretende, sob todas as circunstâncias, desejar alguém. Vai dar showzinho quando for rejeitada e não vai se satisfazer fácil se tiver o que quer.

Este ser vai ser alguém que adora valsinha e cai no samba depois de umas cervejas. Vai ser alguém dominado pelo outro.

A outra pessoa será uma doçura, que beberá cachaça, mas não sentirá os efeitos do arder. Vai ser uma pessoa dengosa, cheia de mimos e que fará qualquer coração bater mais forte. Essa criaturinha adorará fazer doce, manhosa que só, vai fazer hora gostosa com a cara do outro.

Vai negar o cangote quando o outro pedir, mas vai dar de boa vontade quando quiser, porque é gostoso o arrepio que dá.

Essa tal pessoa vai ser colorida como o arco-íris de inverno, com seus florais e seu cheiro doce, vai enfeitiçar o outro e o atacar como um animal faminto, atrás de tais coisas.

Mas um dia essa pessoa se vai, deixará pra trás tudo o construiu dentro do peito do outro. A dor vai ser insuportável e o coração vai bater tão forte quanto quando a pessoa estava.

O indivíduo abandonado não vai entender o motivo do sumiço, não entender pra onde a pessoa levou o amor. Será forte o arrebentar do sentimento.

Nada como cair na depressão do pós-amor, fumar maços e maços de cigarros, daqueles vagabundos mesmo. Amanhecer no bar e adormecer no mesmo.

A música tocando ao fundo, talvez um piano, uma vitrola ou um rádio com um forrózão, dando aquele animo na cerveja gelada. E os amores do bar então? Maravilha! É de se gostar mesmo.

Mas, de repente, entrará no “eu”, e se lembrará do que se foi e ainda está. Vai sair do bar andando, cabisbaixo, sem felicidade alguma. Vai chorar que nem um desgraçado no meio do caminho e nem se dará conta do que virá pela frente. Vai continuar em frente pensando nele mesmo e na injustiça do outro ele. Vai se perder nisso tudo, mas logo vai se encontrar, porque nada dura pra sempre.

Depois de um dia sendo aporrinhada pela vida, essa pessoa vai se levantar e sair pra batalhar. Nessa levantada, vai perceber que o verdadeiro amor está do lado, tão perto, que ele nem percebeu que estava lá. Talvez nem o próprio amor tenha se dado conta que essa pessoa existia.

Besta seria ela se ficasse só olhando a solidão alheia, sem perturbar. Então ela, a pessoa, foi pra cima, seu coração batia tal qual britadeira.

Vai firme à brincadeira de se declamar, pedirá café, cafuné, uns tapas e um beijo. Vai cantar as músicas mais ridículas e talvez amoleça o coração do amor.

Tentará uma, duas, mil vezes. Vai fazer promessas interessantes, e até um filho. Ela vai ficar desesperada com a poesia que sairá da boca de tal pessoa.

Dirá que a paixão não é brincadeira, que pode machucar, pode ser boa no começo, mas depois machuca que nem prego e depois disso tudo acaba que nem tristeza.

Ele explicará que vai fazer render este amor tão recentemente descoberto, que vai brindar muito em sua companhia pelo resto da vida.Depois dos dias de declaração, os anos levam a felicidade desejada.

Quando o sol estiver indo embora, novas flores florescerão e perfumarão a renda branca. O galope do cavalo branco vai ser a musica do anúncio feliz.

Os pássaros se recolherão aos seus ninhos e assistirão o momento mais bonito da terra. As gotículas dó céu chorarão de felicidade e molharão momento tão grandioso.

No amanhecer o sol voltará e dirá que deu tudo certo e que amor eterno, havia começado.

Depois de vida inteira juntos, o amor e a solidão chegarão ao fim de uma saga que seria eterna.

Na mente ecoará o som de um piano, uma doce melodia de despedida.

Naquele momento tão frio como o pólo sul, deserto como a solidão, o coração vai bater tão forte que suas almas vão voar como pena sobre as nuvens e seu amor vai deixar ao futuro uma experiência de esplendor e surreal sentimento.

A vida vai brilhar gritar, explodir e apagar no mar do tudo, tal qual o amor.

Ao futuro

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Vale parar e reescrever todas as coisas que acontecem no mundo, integrar os sentimentos com as ações, falar direito o que se quer e dizer tranquilo o que se sente.
Como mudar o que não se pode? Entregar sua alma a outros, que não seja a si, vale? Foi engolido o orgulho e destruído tudo o que foi necessário para a sobrevivência do “eu”.
Quero bravear sobre minhas opiniões, escrever sobre meus sentimentos e lutar pelo o que pode ser, e vai, ser meu. Preciso encontrar o que tem em meu caminho, saciar a fome de futuro que tenho; Interagir com meus sonhos e sentir profundamente o doce da conquista.
Pode parecer clichê, ridículo ou qualquer merda que ache, mas você não tem o direito de achar nada, isto não faz parte de você.
O destino é uma coisa louca, uma coisa boba, cheio de truques bestas e piadinhas idiotas. De vez em quando, ele nos surpreende com surpresas gostosas como um orgasmo ou um pedação de bolo de chocolate. O destino é um brincalhão imutável e ridículo, que, assim como quem vos fala, sabe fazer rir a plateia mas faz chorar o elenco.
Eu poderia falar de profecias, da volta de Cristo, de aviões caindo, mas não posso. Não posso viver o final sem ler o meio e queimar as páginas do início.
Tudo é incerto, mesmo já existindo. Vai ser assim do primeiro engatinhar ao abraço frio do fim. Maktub, ao futuro um brinde.

Aqui/in/descobrir/vento/ruína em mim

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De onde vem e raiva? De segredos inquietos? De invejas guardadas? De inspirações reencarnatórias? De listas mentais desnecessárias? De infelicidades passadas? De lembranças de Verão? De perdas? De outros sentimentos? De outros corações? De outro mundo? De outros contatos anônimos? Dos passos dados em vão? Das incertezas da vida? Dos corpos, antes unidos, hoje separados? Das negações? Dos falsos sentimentos recíprocos? Das imundices da mente? Das pedras na praia? Do ar que respira? Do começo de tudo? Do coração?

A raiva veio dos sentimentos evitados; Dos choros nas madrugadas; Dos não recebidos; Do cheiro que não passou por suas narinas; Das terras que você não pisou; Dos arranhões observados nos outros; Da inveja guardada; Do orgulho exposto ao mundo; Do cansaço dos outros; Da impaciência com a mediocridade/futilidade; Do ridículo dos outros; Do rancor grudado na mente; Dos falsos sorrisos; Do passado não vivido; Do companheirismo que me faz falta; Vem pela incompreensão de ninguém; Pela obrigação de viver o mundo dos outros (que se fodam!; Do não entendimento de si próprio; Do nada; Do não; De tudo isso.