CARINHO

ponto

Tal qual um cão
Qualquer pouco carinho
Que chegue em primeiro
Na corrida dos dias
Amolece minhas durezas
Põe luz na minha face
E melodia em meus ouvidos.
Carinho pouco
Ou quase nada
Parece-me algo
De enorme valia.

Carinho
Não é amor
Longe disso.
Carinho
É a semente
Os dias
São as gotas d’água
Os frutos
São as carícias
Os beijos
As partículas doces de sabor.
Amor.

Como é difícil entender
que as coisas são são como desejo.
Que viver em linha reta
não impossibilita curvas maldosas
criadas por mim ou pelo mundo.
As vezes as pernas doem
desistir é um pensamento inevitável.
Mas, pra quem acredita,
no fim do caminho
sempre haverá um copo d’água
para quem tiver sede.

Barbitúrico

poema de henrique do carmo

Tantos rostos
Nenhum coração
Tantas vontades
Nenhum sentimento.
Sigo a vida
Na esperança de amor algum.
Sinto-me explodir por dentro
Quero me dar por inteiro
Quero gastar meu amor infinito
Quero sentir a sinergia da troca
Preciso ser conjunto
Não posso ser mais indivíduo
Preciso ser par
Ser ímpar já é impossível.
Enquanto sou estes versos
Meu amor é a música
A soar em outros ouvidos
A arrepiar outros pêlos
A acelerar outro coração.
Enquanto sou amor reprimido
Meu outro alguém
É amor enganado
Mal gasto.
Entregar-me-ia totalmente
A quem se disponibilizasse
A receber o meu amor.
Ele é compatível com qualquer um
Absorve os beijos e sorrisos de qualquer boca
Acolhe as lágrimas de qualquer tristeza
Alegra qualquer coração.
Sinto-me livre para amar
Porém preso para seguir em frente.
O amor faz parte da vida
E a vida anda tão conturbada
A vida anda tão confusa
Que não encontro ninguém
Que não me encontro.
Eu preciso de um comprimido.

Receitinha

O que eu escrevo contém muito ódio
Mas em cada gota do mesmo
Coloco um quilo de amor
Trinta gramas de satisfação
Vinte ML de surpresa
Meio quilo de felicidade
Quatrocentos gramas de cada cor
E um mundo inteiro de tudo.
Se ficar gostoso engula
Se ficar ruim também engula
Desperdício de sentimento
É pecado contra si próprio.

Tum tz Tum Tum esse(^)ncia

Qualquer coisa
Mesmo que morta
Reserva um momento
Ou um sentimento
No fundo do pote
Pro grito de bravura
Daquelas melodias
Sadias e frias
Do interior são

Mexo nas estruturas do cosmos
Como um som de guitarra eletrizante.
Esterilizo seu amor
Sinto o cheiro dos seus cabelos
Abro o livro do meu futuro
E te deixo como um poema
Cada linha independente de si
Amando a si
Querendo a si
E com falta de ti.

Queria chorar agora
Mas o tempo me disse
Que chorar agora
Não vale
Não é cabível
Não é interessante
Pois não se entrega
Tão valiosos pontos
Em pequenas gotículas salgadas.

Um grito cairia bem em minha garganta
Seria de bom grado que eu me sentasse
Esperasse a coragem vi
Me desse um murro
Fizesse eu me levantar
Correr atrás do que eu mereço para o futuro.

Sério é
Que eu não me repreendo fácil
Não me ignoro fácil
Mas me esqueço logo.
Me quero todo
Te quero todo
Preciso existir em você.

Você não existe
Mas eu quero te ter dentro do meu peito
Caminhando entre os caminhos do meu sonho
Me fazendo delirar
No interior do astral.

Queria que você quebrasse minha aura
E invadisse
Aquele meu mais profundo ser
Seria o melhor momento
O mais mágico
Seria de extraordinária petulância
Seria como o fincar de um espinho
Ou o azedo de um cajá verde.

As batidas da canção
Ainda superam aquele seu momento
A melodia ainda me lembra a sua voz
A letra me remete a sua pele
O tom de voz do cantor
Enlouquece meu coração
Faz brotar de meus olhos água.

Não posso chorar
Você não vai me fazer perder
A serenidade é minha
A vida faz parte de mim
Mesmo que a essência
Seja você.

A história de vida do amor e da solidão

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Quem tem coragem de me dizer que não gostou? Quem vai me dizer que isso mudou sua vida e se libertará das amarras da solidão? Alguém vai se manifestar, e gritar ao sete ventos, que não se importa com tudo o que os outros se importam?

A pessoa que isto fizer, será alguém sem correntes, alguém que exala a liberdade em seu suor. Este alguém vai ser um esfomeado de paixão, que pretende, sob todas as circunstâncias, desejar alguém. Vai dar showzinho quando for rejeitada e não vai se satisfazer fácil se tiver o que quer.

Este ser vai ser alguém que adora valsinha e cai no samba depois de umas cervejas. Vai ser alguém dominado pelo outro.

A outra pessoa será uma doçura, que beberá cachaça, mas não sentirá os efeitos do arder. Vai ser uma pessoa dengosa, cheia de mimos e que fará qualquer coração bater mais forte. Essa criaturinha adorará fazer doce, manhosa que só, vai fazer hora gostosa com a cara do outro.

Vai negar o cangote quando o outro pedir, mas vai dar de boa vontade quando quiser, porque é gostoso o arrepio que dá.

Essa tal pessoa vai ser colorida como o arco-íris de inverno, com seus florais e seu cheiro doce, vai enfeitiçar o outro e o atacar como um animal faminto, atrás de tais coisas.

Mas um dia essa pessoa se vai, deixará pra trás tudo o construiu dentro do peito do outro. A dor vai ser insuportável e o coração vai bater tão forte quanto quando a pessoa estava.

O indivíduo abandonado não vai entender o motivo do sumiço, não entender pra onde a pessoa levou o amor. Será forte o arrebentar do sentimento.

Nada como cair na depressão do pós-amor, fumar maços e maços de cigarros, daqueles vagabundos mesmo. Amanhecer no bar e adormecer no mesmo.

A música tocando ao fundo, talvez um piano, uma vitrola ou um rádio com um forrózão, dando aquele animo na cerveja gelada. E os amores do bar então? Maravilha! É de se gostar mesmo.

Mas, de repente, entrará no “eu”, e se lembrará do que se foi e ainda está. Vai sair do bar andando, cabisbaixo, sem felicidade alguma. Vai chorar que nem um desgraçado no meio do caminho e nem se dará conta do que virá pela frente. Vai continuar em frente pensando nele mesmo e na injustiça do outro ele. Vai se perder nisso tudo, mas logo vai se encontrar, porque nada dura pra sempre.

Depois de um dia sendo aporrinhada pela vida, essa pessoa vai se levantar e sair pra batalhar. Nessa levantada, vai perceber que o verdadeiro amor está do lado, tão perto, que ele nem percebeu que estava lá. Talvez nem o próprio amor tenha se dado conta que essa pessoa existia.

Besta seria ela se ficasse só olhando a solidão alheia, sem perturbar. Então ela, a pessoa, foi pra cima, seu coração batia tal qual britadeira.

Vai firme à brincadeira de se declamar, pedirá café, cafuné, uns tapas e um beijo. Vai cantar as músicas mais ridículas e talvez amoleça o coração do amor.

Tentará uma, duas, mil vezes. Vai fazer promessas interessantes, e até um filho. Ela vai ficar desesperada com a poesia que sairá da boca de tal pessoa.

Dirá que a paixão não é brincadeira, que pode machucar, pode ser boa no começo, mas depois machuca que nem prego e depois disso tudo acaba que nem tristeza.

Ele explicará que vai fazer render este amor tão recentemente descoberto, que vai brindar muito em sua companhia pelo resto da vida.Depois dos dias de declaração, os anos levam a felicidade desejada.

Quando o sol estiver indo embora, novas flores florescerão e perfumarão a renda branca. O galope do cavalo branco vai ser a musica do anúncio feliz.

Os pássaros se recolherão aos seus ninhos e assistirão o momento mais bonito da terra. As gotículas dó céu chorarão de felicidade e molharão momento tão grandioso.

No amanhecer o sol voltará e dirá que deu tudo certo e que amor eterno, havia começado.

Depois de vida inteira juntos, o amor e a solidão chegarão ao fim de uma saga que seria eterna.

Na mente ecoará o som de um piano, uma doce melodia de despedida.

Naquele momento tão frio como o pólo sul, deserto como a solidão, o coração vai bater tão forte que suas almas vão voar como pena sobre as nuvens e seu amor vai deixar ao futuro uma experiência de esplendor e surreal sentimento.

A vida vai brilhar gritar, explodir e apagar no mar do tudo, tal qual o amor.

Ao futuro

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Vale parar e reescrever todas as coisas que acontecem no mundo, integrar os sentimentos com as ações, falar direito o que se quer e dizer tranquilo o que se sente.
Como mudar o que não se pode? Entregar sua alma a outros, que não seja a si, vale? Foi engolido o orgulho e destruído tudo o que foi necessário para a sobrevivência do “eu”.
Quero bravear sobre minhas opiniões, escrever sobre meus sentimentos e lutar pelo o que pode ser, e vai, ser meu. Preciso encontrar o que tem em meu caminho, saciar a fome de futuro que tenho; Interagir com meus sonhos e sentir profundamente o doce da conquista.
Pode parecer clichê, ridículo ou qualquer merda que ache, mas você não tem o direito de achar nada, isto não faz parte de você.
O destino é uma coisa louca, uma coisa boba, cheio de truques bestas e piadinhas idiotas. De vez em quando, ele nos surpreende com surpresas gostosas como um orgasmo ou um pedação de bolo de chocolate. O destino é um brincalhão imutável e ridículo, que, assim como quem vos fala, sabe fazer rir a plateia mas faz chorar o elenco.
Eu poderia falar de profecias, da volta de Cristo, de aviões caindo, mas não posso. Não posso viver o final sem ler o meio e queimar as páginas do início.
Tudo é incerto, mesmo já existindo. Vai ser assim do primeiro engatinhar ao abraço frio do fim. Maktub, ao futuro um brinde.

Aqui/in/descobrir/vento/ruína em mim

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De onde vem e raiva? De segredos inquietos? De invejas guardadas? De inspirações reencarnatórias? De listas mentais desnecessárias? De infelicidades passadas? De lembranças de Verão? De perdas? De outros sentimentos? De outros corações? De outro mundo? De outros contatos anônimos? Dos passos dados em vão? Das incertezas da vida? Dos corpos, antes unidos, hoje separados? Das negações? Dos falsos sentimentos recíprocos? Das imundices da mente? Das pedras na praia? Do ar que respira? Do começo de tudo? Do coração?

A raiva veio dos sentimentos evitados; Dos choros nas madrugadas; Dos não recebidos; Do cheiro que não passou por suas narinas; Das terras que você não pisou; Dos arranhões observados nos outros; Da inveja guardada; Do orgulho exposto ao mundo; Do cansaço dos outros; Da impaciência com a mediocridade/futilidade; Do ridículo dos outros; Do rancor grudado na mente; Dos falsos sorrisos; Do passado não vivido; Do companheirismo que me faz falta; Vem pela incompreensão de ninguém; Pela obrigação de viver o mundo dos outros (que se fodam!; Do não entendimento de si próprio; Do nada; Do não; De tudo isso.

Uma xícara, um sofá, uma chuva caindo lá fora

Queria falar sobre tristeza. Não essa tristeza de quando se perde alguém, mas sim dessa tristeza que me abate nos dias de chuva, no friozinho da manhã ou na solidão da tarde. Daquela que acentua a solidão nas madrugadas, que me abraça no banho solitário e incendeia a melancolia.

Explode a paciência, ao pensamento dá adeus, pede à alegria passagem e nega à moral um beijo. Sinto que sou passageiro nisso, que estou no meio de um lamaçal de ignorância e insolência absoluta.

Algo me diz que aquelas palavras ditas no verão passado não me fizeram tão bem, e deixar que tudo se fosse, foi um grande erro, que tudo isso não passou de um pesadelo único e insaciável do inconsciente intratável que eu carrego comigo.

Sorrisos não são tão sinceros assim, quando se tem uma vida tão desregrada e inconstante. Isso poderia ser sobre mim, e é, mas não deixa de ser sobre você, que rodeia a minha vida em todos os aspectos. Você, que tem a rebeldia como maior qualidade, que age com arrogância perante a minha vida, que têm como maior propósito me ensinar a ser mais forte. Leve com você essa vida de fantasia, traga-me algo surpreendente e bom.

Quero que isso se configure como um desabafo, mesmo não sendo tão revoltante e revolucionário como muitos por aí. Uma reverência sincera à minha amável tristeza.