A história de vida do amor e da solidão

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Quem tem coragem de me dizer que não gostou? Quem vai me dizer que isso mudou sua vida e se libertará das amarras da solidão? Alguém vai se manifestar, e gritar ao sete ventos, que não se importa com tudo o que os outros se importam?

A pessoa que isto fizer, será alguém sem correntes, alguém que exala a liberdade em seu suor. Este alguém vai ser um esfomeado de paixão, que pretende, sob todas as circunstâncias, desejar alguém. Vai dar showzinho quando for rejeitada e não vai se satisfazer fácil se tiver o que quer.

Este ser vai ser alguém que adora valsinha e cai no samba depois de umas cervejas. Vai ser alguém dominado pelo outro.

A outra pessoa será uma doçura, que beberá cachaça, mas não sentirá os efeitos do arder. Vai ser uma pessoa dengosa, cheia de mimos e que fará qualquer coração bater mais forte. Essa criaturinha adorará fazer doce, manhosa que só, vai fazer hora gostosa com a cara do outro.

Vai negar o cangote quando o outro pedir, mas vai dar de boa vontade quando quiser, porque é gostoso o arrepio que dá.

Essa tal pessoa vai ser colorida como o arco-íris de inverno, com seus florais e seu cheiro doce, vai enfeitiçar o outro e o atacar como um animal faminto, atrás de tais coisas.

Mas um dia essa pessoa se vai, deixará pra trás tudo o construiu dentro do peito do outro. A dor vai ser insuportável e o coração vai bater tão forte quanto quando a pessoa estava.

O indivíduo abandonado não vai entender o motivo do sumiço, não entender pra onde a pessoa levou o amor. Será forte o arrebentar do sentimento.

Nada como cair na depressão do pós-amor, fumar maços e maços de cigarros, daqueles vagabundos mesmo. Amanhecer no bar e adormecer no mesmo.

A música tocando ao fundo, talvez um piano, uma vitrola ou um rádio com um forrózão, dando aquele animo na cerveja gelada. E os amores do bar então? Maravilha! É de se gostar mesmo.

Mas, de repente, entrará no “eu”, e se lembrará do que se foi e ainda está. Vai sair do bar andando, cabisbaixo, sem felicidade alguma. Vai chorar que nem um desgraçado no meio do caminho e nem se dará conta do que virá pela frente. Vai continuar em frente pensando nele mesmo e na injustiça do outro ele. Vai se perder nisso tudo, mas logo vai se encontrar, porque nada dura pra sempre.

Depois de um dia sendo aporrinhada pela vida, essa pessoa vai se levantar e sair pra batalhar. Nessa levantada, vai perceber que o verdadeiro amor está do lado, tão perto, que ele nem percebeu que estava lá. Talvez nem o próprio amor tenha se dado conta que essa pessoa existia.

Besta seria ela se ficasse só olhando a solidão alheia, sem perturbar. Então ela, a pessoa, foi pra cima, seu coração batia tal qual britadeira.

Vai firme à brincadeira de se declamar, pedirá café, cafuné, uns tapas e um beijo. Vai cantar as músicas mais ridículas e talvez amoleça o coração do amor.

Tentará uma, duas, mil vezes. Vai fazer promessas interessantes, e até um filho. Ela vai ficar desesperada com a poesia que sairá da boca de tal pessoa.

Dirá que a paixão não é brincadeira, que pode machucar, pode ser boa no começo, mas depois machuca que nem prego e depois disso tudo acaba que nem tristeza.

Ele explicará que vai fazer render este amor tão recentemente descoberto, que vai brindar muito em sua companhia pelo resto da vida.Depois dos dias de declaração, os anos levam a felicidade desejada.

Quando o sol estiver indo embora, novas flores florescerão e perfumarão a renda branca. O galope do cavalo branco vai ser a musica do anúncio feliz.

Os pássaros se recolherão aos seus ninhos e assistirão o momento mais bonito da terra. As gotículas dó céu chorarão de felicidade e molharão momento tão grandioso.

No amanhecer o sol voltará e dirá que deu tudo certo e que amor eterno, havia começado.

Depois de vida inteira juntos, o amor e a solidão chegarão ao fim de uma saga que seria eterna.

Na mente ecoará o som de um piano, uma doce melodia de despedida.

Naquele momento tão frio como o pólo sul, deserto como a solidão, o coração vai bater tão forte que suas almas vão voar como pena sobre as nuvens e seu amor vai deixar ao futuro uma experiência de esplendor e surreal sentimento.

A vida vai brilhar gritar, explodir e apagar no mar do tudo, tal qual o amor.

Ao futuro

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Vale parar e reescrever todas as coisas que acontecem no mundo, integrar os sentimentos com as ações, falar direito o que se quer e dizer tranquilo o que se sente.
Como mudar o que não se pode? Entregar sua alma a outros, que não seja a si, vale? Foi engolido o orgulho e destruído tudo o que foi necessário para a sobrevivência do “eu”.
Quero bravear sobre minhas opiniões, escrever sobre meus sentimentos e lutar pelo o que pode ser, e vai, ser meu. Preciso encontrar o que tem em meu caminho, saciar a fome de futuro que tenho; Interagir com meus sonhos e sentir profundamente o doce da conquista.
Pode parecer clichê, ridículo ou qualquer merda que ache, mas você não tem o direito de achar nada, isto não faz parte de você.
O destino é uma coisa louca, uma coisa boba, cheio de truques bestas e piadinhas idiotas. De vez em quando, ele nos surpreende com surpresas gostosas como um orgasmo ou um pedação de bolo de chocolate. O destino é um brincalhão imutável e ridículo, que, assim como quem vos fala, sabe fazer rir a plateia mas faz chorar o elenco.
Eu poderia falar de profecias, da volta de Cristo, de aviões caindo, mas não posso. Não posso viver o final sem ler o meio e queimar as páginas do início.
Tudo é incerto, mesmo já existindo. Vai ser assim do primeiro engatinhar ao abraço frio do fim. Maktub, ao futuro um brinde.

Aqui/in/descobrir/vento/ruína em mim

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De onde vem e raiva? De segredos inquietos? De invejas guardadas? De inspirações reencarnatórias? De listas mentais desnecessárias? De infelicidades passadas? De lembranças de Verão? De perdas? De outros sentimentos? De outros corações? De outro mundo? De outros contatos anônimos? Dos passos dados em vão? Das incertezas da vida? Dos corpos, antes unidos, hoje separados? Das negações? Dos falsos sentimentos recíprocos? Das imundices da mente? Das pedras na praia? Do ar que respira? Do começo de tudo? Do coração?

A raiva veio dos sentimentos evitados; Dos choros nas madrugadas; Dos não recebidos; Do cheiro que não passou por suas narinas; Das terras que você não pisou; Dos arranhões observados nos outros; Da inveja guardada; Do orgulho exposto ao mundo; Do cansaço dos outros; Da impaciência com a mediocridade/futilidade; Do ridículo dos outros; Do rancor grudado na mente; Dos falsos sorrisos; Do passado não vivido; Do companheirismo que me faz falta; Vem pela incompreensão de ninguém; Pela obrigação de viver o mundo dos outros (que se fodam!; Do não entendimento de si próprio; Do nada; Do não; De tudo isso.

Uma xícara, um sofá, uma chuva caindo lá fora

Queria falar sobre tristeza. Não essa tristeza de quando se perde alguém, mas sim dessa tristeza que me abate nos dias de chuva, no friozinho da manhã ou na solidão da tarde. Daquela que acentua a solidão nas madrugadas, que me abraça no banho solitário e incendeia a melancolia.

Explode a paciência, ao pensamento dá adeus, pede à alegria passagem e nega à moral um beijo. Sinto que sou passageiro nisso, que estou no meio de um lamaçal de ignorância e insolência absoluta.

Algo me diz que aquelas palavras ditas no verão passado não me fizeram tão bem, e deixar que tudo se fosse, foi um grande erro, que tudo isso não passou de um pesadelo único e insaciável do inconsciente intratável que eu carrego comigo.

Sorrisos não são tão sinceros assim, quando se tem uma vida tão desregrada e inconstante. Isso poderia ser sobre mim, e é, mas não deixa de ser sobre você, que rodeia a minha vida em todos os aspectos. Você, que tem a rebeldia como maior qualidade, que age com arrogância perante a minha vida, que têm como maior propósito me ensinar a ser mais forte. Leve com você essa vida de fantasia, traga-me algo surpreendente e bom.

Quero que isso se configure como um desabafo, mesmo não sendo tão revoltante e revolucionário como muitos por aí. Uma reverência sincera à minha amável tristeza.

O fim de Hélio e Eugênia

Definitivamente, mulher não se deixa só, de forma alguma.

O homem que brilha na rua, causa escuridão no lar, deixa desolada a mulher que o espera com o café na xícara, o almoço no prato e o jantar na mesa..

Hélio, um bacaninha que rodava as noites,  na farra,  sem rumo, de bar em bar, feito um desocupado, mulherengo, galinha, parecia que nem era casado, um verdadeiro machão na rua .

A gandaia rodava solta na rua, Eugênia mofava em casa …quer dizer… saía as vezes para a igreja, na certa, em busca de respostas, por qual motivo  seu amado a deixava só, contando seus lamentos, suas tristezas. Todo mundo aconselhava  “ Eugênia, larga esse traste, vagabundo , segue sua vida irmã, Deus é alimento”. Ela nunca seguiu nenhum conselho , acreditou na mudança, achava que ele poderia ser um homem diferente, melhor, “ um homem do senhor”.

Porém era demais, não dava para aguentar. Enquanto ele rodava de bar em bar, colocando garotas simpáticas em seu colo, recebendo elogios, mimos, sendo bajulado, ela, Eugênia, roxeava os joelhos, rezando no piso vermelhão. Quando ele aparecia em casa , a única coisa que oferecia era o silêncio, o vazio, vazio esse que significava uma historia que nunca dera certo, que não tinha mais condições de melhora .

Totalmente esgotada.  Assim encontrava-se Eugênia. Quando saiu da igreja, jogou as saias fora e adotou shorts indecentes, como dizem as línguas malditas, Eugênia “embucetou-se” com Hélio, com a vida com tudo.

A situação ficou totalmente louca. Agora, quando Hélio saía, em sua casa entrava o Pedro, as vezes o João, uma ou duas vezes o Renato, entre outros que preenchiam o vazio que Helio deixava quando saía para a farra.

Era fato que, a rua do seu Zé do botequim, para Hélio, era bem melhor que o colchão de Eugênia. Pouco sabia o idiota que ,enquanto ele explorava os bares e os copos de pinga, outros malandros exploravam a mulher dele, e o colchão dela, colchão que ele tanto desdenhava.

Nesse sururu, foram-se dois meses, três, oito meses, um ano , dois , cinco anos de traição e muito gozo.

Porém , nada dura para sempre , infelizmente existem vizinhos , espiões colocados pelo diabo para vigiar nossa vida e se divertir com nossas desgraças.

Foi numa noite de segunda silenciosa e fria que tudo aconteceu.

Hélio acusava Eugênia de sempre ter sido uma beata , uma mulher que nunca foi uma esposa  e que não cumpria com suas obrigações .

Já Eugênia só dizia que Hélio era um alcoólatra , que nunca moveu uma palha para sustentá-la e que nunca fora um homem.

Hélio dizia , ora ora , que ela era uma vadia , uma piranha , uma puta que fazia de tudo por dinheiro , que não tinha caráter e que não merecia nem sua companhia.

Eugênia disse rindo que nunca recebera nenhum dinheiro pelo o que tinha feito , fazia por prazer  e faria de novo , sem nenhum problema.

Com toda certeza , Eugênia faria , realmente , tudo de novo , se não fossem os três tiros efetuados por Hélio contra ela.

A mulher cambaleou , cambaleou , suou  e foi esfriando a medida que foi caindo em seu sofá marfim.

Lágrimas escorreram dos olhos de hélio. Ele não queria aquilo de verdade .  Era demais, não dava para aguentar .

Vendo os olhos de Eugênia , inquietos , buscando razão, Hélio a beija três vezes , não sei se representando a santíssima trindade ,  os três tiros ou o inicio , o meio e aquele fim .

Eu só sei que Eugênia foi fechando os olhos lentamente e tranquilamente , sem nenhum ai , sem fugir da morte. Dali em diante , depois do ultimo e desejado suspiro de vida , eu não sei o que aconteceu com Eugênia , caso exista além.

A ultima coisa que eu sei , é que naquela noite , Hélio não saiu de casa , não tinha quem deixar esperando pela volta dele , não tinha quem fazer sofrer , não tinha ninguém.

Ela

Passos leves, sorriso de saudades estampado na face, olhar fixo no rosto que a faz feliz, que saiu de suas entranhas e que hoje a ama como mãe.
São apenas alguns minutos, que por serem minutos, passam como segundos. Segundos que antecedem a obrigação aterrorizante das noites. Essas noites que a fazem sentir frio, o frio corporal, causado pelo uso da saia jeans curta e da blusa decotada sem mangas, menor que o frio da alma, que corrompe a honestidade e o amor.
A maquiagem forte, o cabelo escovado e a postura sedutora escondem a mãe, a dona de casa, a vizinha amiga e dizimista. Criam uma nova personalidade, irreconhecível e desejada.
As luzes passam, vêm e vão como vaga-lumes iluminando a noite, criando brilho nos olhos e medo no espírito. O barulho das buzinas soa de maneiras diferentes em seus ouvidos.
Ouve cada peça se movimentando na parada do destruidor de alegrias. Cada passo em direção a ele, é uma doce punhalada em seus tendões, que a fazem mancar sensualmente, em sua dolorosa caminhada, excitando o controlador, que pede para apalpá-la e senti-la, no prostíbulo ao ar livre.
O controlador a dirige para um lugar qualquer, onde ele a devora, de forma animal, como se ela fosse de plástico. Ela se faz de atriz, não artista, atriz, para que o cliente volte sempre.       Durante a peça, toda personalidade desaparece, tanto a verdadeira, quanto a do estojo de maquiagem. Nasce então, o sentimento mais forte que se pode sentir neste momento e que é impossível de se expressar: nojo.
Depois da peça, o controlador a deixa em qualquer lugar, com o suor escorrendo no rosto, misturando-se com a maquiagem e deixando difícil a distinção entre dinheiro e dignidade.
Ele lhe dá algumas notas e parte, esquecendo tudo aquilo que aconteceu. Ela dá alguns passos , se vira para um canto e vomita todo nojo , tudo que teve que engolir durante aquela noite, assim como nas outras, se pega chorando. O mesmo que um milhão de seres fazem, para que  no dia seguinte, possam alimentar outros seres amáveis e amados,  que precisam e percebem o amor e o carinho.
Ela tem um ser amado, por isso ela se vai, deixando para trás o que queria esquecer , mas não podia, conta as notas no banco do transporte,dinheiro que virará leite para o filho .
Todo mundo sabe que não há mal que sempre dure, mas o mal volta e a noite chega , e para ela não existe férias.

Melancolia

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A chuva cai no telhado, os pelos do corpo se arrepiam, os batimentos cardíacos se desaceleram, os olhos se fecham, quase morrem. Uma música toca ao fundo, não precisa ser sua preferida, apenas uma música que, surpreendentemente, é o que você precisa ouvir. Um sentimento gostoso, que demora a vir, mas quando chega se instala: melancolia.

É difícil ter um sentimento assim, que é uma mistura de todos os outros que você já teve. Normalmente, ela bate a tarde, depois do almoço ou no finzinho do dia, faz com você se deligue de tudo e de todos, e se ligue em você. Seria como uma auto revisão de todos os seus sentimentos, suas atitudes, das palavras ditas, dos pensamentos pesados, dos martírios incompreendidos e incompreensíveis.

A melancolia é aquele pingo de nostalgia, as quatorze horas, daquele sorvete no parque, com seu pai falecido há dois meses, de quando você tinha doze anos de idade. Numa mesma casquinha você saboreava napolitano, morango e flocos, e todos pareciam perfeitos, pois seu pai sorria envolto em um tom azul de felicidade suprema, a mão dele segurava a sua e aquele calor era reconfortante, por que naquele momento vocês eram um só.

Pode ser também a dose de arrependimento, por não ter comprado aquele vestido magenta, que estava naquela vitrine dourada da avenida principal da cidade, e ter ido à festa do ano de moletom e calça jeans, por que se achava importante e inteligente demais para se fazer produto do capitalismo. Você vai rir, pois só agora entende o motivo de continuar solteira aos trinta e cinco anos.

Lá pelo meio, você vai começar a lembrar que tem que pagar a conta de água, a conta do cartão de crédito e a mensalidade da geladeira, até o dia quinze. Que o aluguel venceu ontem e você ainda não arrumou o dinheiro, e que a única alternativa seria vender a geladeira, que você não terminou de pagar.

Após, vai se lembrar também que só comprou uma geladeira nova por que se mudou, caso contrário, continuaria com a velha, que congelava todas as garrafas de água e estragava o frango no congelador. Além disso, irá recordar-se que sempre sonhou com uma geladeira como a que tem agora: duas portas, em inox, “frost free”, que coubesse bastante coisa e impressionasse as visitas. Porém, tudo isso perde o sentido, pois você percebe que sua geladeira está vazia, e, se considerar sua situação financeira, ficará por muito tempo, e que ela não impressionaria nenhuma visita já que você não tem amigos.

Alguma coisa vai te chamar a atenção, e durante, mais ou menos, trinta segundos, isso vai prender sua atenção. Um carro muito rápido na rua, uma taroíra na parede, alguém que supostamente chamou seu nome, uma notificação no seu celular, pago em trinta e quatro prestações, enfim, alguma coisa, ou nada, se preferir.

Você vai chorar. Querendo ou não, você vai chorar. Melancolia é assim mesmo, é uma experiência que todos um dia hão de viver. Mesmo que esteja preso, escalando uma montanha ou em coma. Ela virá e você vai chorar. Deixe a lágrima cair, isso é sinal de que o seu “eu” está aberto para você.

Aí, você vai parar de chorar e se lembrar de uma piada, que ouviu na noite anterior, que de tão idiota foi a mais engraçada que já ouviu. Então vai rir que nem uma demente na sua varanda e perceber como esse mundo é louco.

Vai acender um cigarro, vai se lembrar da primeira tragada de sua vida, quando tinha quinze e ainda se achava uma revolucionária de absorvente. Era muito louca e foi numa dessas que perdeu a virgindade com um boyzinho da rua de trás. Vai rir e pensar como Fortaleza era pequena naquela época e que transar na praia foi a segunda maior loucura da sua vida, por que a primeira foi comprar uma geladeira que não podia encher, nem pagar. Vai ter vontade de cair no mundo e procurar por esse boyzinho, pai de sua filha, aquela que provavelmente nem desconfia que não é filha do homem que costuma chamar de pai.

A pior parte vai ser se lembrar do casamento forçado por causa da gravidez, do ódio e do nojo da noite de núpcias com o seu tio, bem como ficou feliz quando ele morreu.

Então, você vai parar de pensar nisso, gritar pra menina se adiantar e se arrumar pra ir pra escola.

Você vai apagar o cigarro, vai dar uma olhada em volta e ver que a vida é boa.

Costuma-se dizer que melancolia faz mal, que pode ser uma porta para o suicídio e que é pura tristeza. Mas, ao contrário disso, a melancolia é um mergulho no grande balde de nada e tudo que se chama “eu”. E tudo que encontrar lá dentro, dirá respeito a você, ao seu passado, ao seu futuro, ao seu presente, você. Diz-se que tudo não passa de frescura. E é isso mesmo, tudo frescura! Isso é tão comum quanto respirar.

Melancolia é enigmática, quem olha por fora acha que é tristeza, mas quem vê por dentro vive um carnaval.